Sábado, 9 de Agosto de 2008

"Crime e Castigo", Em Resposta

Caro Orlando,

Não me pretendo estender demasiado em explicações – não sou teólogo, nem tenho muita paciência para este tipo de discussões – no entanto, não posso deixar passar sem resposta algumas das suas afirmações.

1. Não percebo sinceramente porque me acusa de usar a minha própria consciência como bitola de Justiça – coisa que por razões doutrinárias nunca fiz – pois, apenas me limitei a citar uma passagem da Bíblia, que para mim, como Católico, é a única e verdadeira fonte de Justiça. A Bíblia não é uma opinião pessoal, mas sim a vontade de Deus!

2. A breve menção que faço no meu post refere-se a uma passagem do livro Romanos, Novo Testamento, que advém da tradição apostólica – tendo São Paulo como redactor, mas sempre Deus como autor. Pois, as Sagradas Escrituras não têm outro autor senão Deus. Se assim não fosse, não faria sentido estar aqui em sua defesa. Ainda assim, caso o Orlando não aceite a tradição apostólica – matriz da Igreja Católica – eu relembro
Mateus 10, em que Jesus Cristo confere aos seus apóstolos a verdadeira missão que os espera, dando-lhes também a legitimidade e autoridade necessária para que estes possam falar em seu nome.

– «O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados.» (Mateus 10:27)

3. Pelas declarações sobre o regicídio só posso ser levado a pensar que o Orlando não tem uma verdadeira noção de Justiça e por isso mesmo não faz distinção entre o Homicídio e a Pena de Morte, entre o Crime e o Castigo, entre o Bem e o Mal.
Justiça é dar a cada um aquilo que merece, e se matar um homicida é injusto, então nada mais pode ser justo, até mesmo prendê-lo; e o Homem estaria assim impedido de fazer Justiça. Pois, o que torna a prisão mais justa do que a pena de morte? A ética? E qual ética? A da sua própria consciência?

– «Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.» (Lucas 23:41)
– «Quem procura prender será preso. Quem matar pela espada, pela espada deve ser morto. Esta é a ocasião para a constância e a confiança dos santos!» (Apocalipse 13:10)

4. O Orlando diz-se Cristão, no entanto, rejeita totalmente o Antigo Testamento. Pois, queira saber que os 10 Mandamentos foram revelados a Moisés no Antigo Testamento, onde se inclui o quinto,"Não matarás!", que o próprio Orlando fez questão de sublinhar. Inclusivamente, se reparar, a resposta de Cristo ao pobre homem que o questiona, remete imediatamente para os Mandamentos, ou seja, para o Antigo Testamento, que o Orlando tanto rejeita! Mas, sobre o Mandamento "Não matarás!" – que é apenas uma regra formal e não um princípio dogmático – o professor Olavo de Carvalho deixou
aqui uma óptima reflexão sobre o assunto, que eu aconselho vivamente. Além disso, importa também referir que Jesus Cristo não veio abolir o Antigo Testamento, mas sim aperfeiçoá-lo em Sua Virtude.

– «Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.» (Mateus 5:17)

5. É impossível separar os Evangelhos do resto da Bíblia. A Bíblia só tem sentido se for entendida como um todo e não como partes distintas. Mesmo que assim fosse, o próprio Orlando estaria à partida impedido de me criticar, uma vez que apenas estava a defender a "minha parte" da Bíblia. Além disso, Jesus sempre se afirmou como o Messias (por ex, João 14) e a promessa da sua chegada já tinha sido por
diversas vezes profetizada no Antigo Testamento – algo que nenhum Cristão pode rejeitar.

6. Admito, pelos argumentos apresentados, que o seu "Cristianismo" não seja muito diferente do cristianismo de Lutero, em que Cristo é apenas uma questão de perspectiva. Pois, também ele proclamou a tese da não infalibilidade da Bíblia e com essa mesma tese abriu um penoso caminho até à rejeição de Cristo – vulgo ateísmo. Mas, já que me acusa de fazer justiça usando os meus valores e a minha consciência, eu pergunto em que é que o Orlando se baseia para considerar que há coisas na Bíblia que estão erradas e outras estão certas? Qual é o critério? Afinal, quem é que está a fazer uso da sua consciência e dos seus próprios valores?

7. Não me querendo alongar mais, aconselho ainda a leitura de quem muito melhor do que eu, consegue explicar este assunto:

"Cristo e a pena de morte", por Orlando Fedeli.
"Pode-se matar em que circunstâncias?", por Orlando Fedeli.

Os meus cumprimentos.

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