Domingo, 18 de Maio de 2008

Novilíngua: Qualquer Semelhança Com a Realidade é Pura Coincidência!

Novilíngua é o idioma oficial no megabloco da Oceânia no livro "1984" de George Orwell. Na sua obra-prima, Orwell imaginou um mundo dividido em três grandes blocos (Oceânia, Lestásia e Eurásia). Na Oceânia (Américas, Inglaterra, Sul da África e Austrália) os cidadãos falavam o inglês, mas todos os documentos eram escritos em novilíngua (ou newspeak).

Apesar de ser incentivada pelo Partido poucos eram os fluentes na novilíngua, uma versão reduzida do idioma inglês. A novilíngua era utilizada apenas nos artigos internos e oficiais. Os cidadãos utilizavam o inglês tradicional para se comunicar, já que a novilíngua era uma adaptação calculada do idioma britânico. O Partido previa que no ano de 2050 a novilíngua superasse o inglês como idioma corrente. Desta forma, não haveria possibilidade de pensamentos conflituantes com os interesses do governo.

O objectivo da implantação do novo idioma é reduzir o vocabulário ao extremo para diminuir a capacidade de pensamento, tornando as pessoas vulneráveis ao Partido. A eliminação de sinónimos, fusão de palavras tornava a relativização impossível. As novas palavras que foram criadas tinham a intenção de tornar várias obsoletas.
A cada edição do dicionário de novilíngua menos vocabulários estavam presentes. Assim o duplipensamento [crença em duas ideias contraditórias] fica mais fácil de ser absorvido.


***

No Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa:

Língua Portuguesa -------- Novilíngua "Portuguesa"
------Acção -------------------------------- Ação
------Acto ----------------------------------- Ato
------Baptismo ---------------------------- Batismo
------Dêem --------------------------------- Deem
------Facto --------------------------------- Fato
------Hilariante ---------------------------- Ilariante
------Hoje ----------------------------------- Oje
------Húmido ------------------------------- Úmido
------Óptimo ------------------------------- Ótimo
------Pára ----------------------------------- Para (do verbo Parar)

Negar o Acordo Ortográfico não é apenas uma questão linguística, mas sobretudo uma questão de Honra. Por isso, hoje não vou pedir a nenhum leitor que assine uma qualquer petição para entregar à Assembleia da República – a mesma Assembleia que o aprovou. Peço apenas que resistam à subversão da Língua, continuando a pensar, a falar e a escrever em Português. Porque, «em tempos de mentira universal, dizer a verdade é um acto revolucionário».

7 comentários:

Anónimo disse...

O século XX foi o século da depressão, o século XXI será o século dos suicídios em massa.
A modernidade está a levar as pessoas ao desespero.

Vicissitude(s) disse...

Um exemplo um pouco alardeado não acha?

Demokrata disse...

Alarde? Consegue ser um bocadinho mais específico?

Anónimo disse...

Sou brasileiro, mas reconheço que atualmente (ou seria actualmente) apenas os portuguêses dominam a Última Flor do Lácio. O melhor que vocês podem fazer é não deixar o idioma ser banalizado pelos brasileiros.

Demokrata disse...

Meu caro anónimo, fico muito feliz por saber que existem brasileiros preocupados com a cultura e língua portuguesa – pois como sabemos, isso é uma raridade!

Tem toda a razão quando diz que os portugueses são os detentores da Última Flor do Lácio. Porque, infelizmente, o chamado Português do Brasil, mais não é do que um subproduto, uma aculturação do Português Europeu. Ou seja, uma forma polida de crioulo, que além de adulterar muitas palavras, ainda vai substituir outras por estrangeirismos. E o pior disto tudo, são uns meia-dúzia de pseudo-intelectuais que querem pôr todos os lusófonos a falar “brasileiro”. É como diz o Professor Olavo de Carvalho: vão tomar no cu!

Um abraço.

Anónimo disse...

Ó democrata, esse pequeno bordado que aí tem é dos chouans não é? Há que imitar-lhes e resistir em rebeldia contra-revolucionária a todas estas corrupções modernistas.

Nuno R. disse...

Pode crer que a mim ninguém me vem obrigar a abrasileirar o português. Cresci a aprender português e vou morrer a escrever tal qual faço agora. A próxima geração ... eu ia dizer que se amanhe, mas é cruel dizê-lo. Com a qualidade do ensino, poucos serão os que conseguirão escrever bom português, quanto mais acertar a nova ortografia... lamento o futuro deste país.
Entretanto, lanço-lhe um desafio, n'Obliviário.
Abraço