Daniel Oliveira, como bom marxista, acha que a Justiça deve ter cor e conotação política. Uma característica que aliás, se estende a todos os bloquistas.Mas, além disso, aquilo que também se estende a todos os bloquistas, é a pose cândida, por vezes clerical, em relação ao crime de colarinho branco. Sempre na demanda contra o crime, lá vêm os paladinos do BE, vestidos de bata branca e luvas de borracha, achincalhar em praça pública e julgar pela sua bitola "os suspeitos do costume" – "direitistas" do bloco central e da direita centrista. Cujos alvos preferenciais, são precisamente os autarcas dessas mesmas cores políticas.
Para isso, basta que nos lembremos das autárquicas de 2005, eleições que para o BE mais não foram do que uma campanha contra o «banditismo» e na qual o grande líder Francisco Louçã designou alguns candidatos suspeitos (e apenas suspeitos) por crimes de corrupção como de «candidatos-bandido». E o mesmo grande líder que se rejubilou pela "vitória justicialista", após ter conseguido eliminar um desses candidatos, muito em parte por uma campanha suja, de baixa política e de difamação aguda, a um candidato que há data era suspeito (e apenas suspeito) e que até se confirmasse o contrário estava inocente.
Ou então, lembremo-nos mais recentemente das eleições intercalares de Lisboa em que o imaculado candidato José Sá Fernandes dizia "fazer falta" para cobro à corrupção na Câmara de Lisboa. Contudo, até agora a "carência" de Sá Fernandes apenas se traduziu numa aliança (sólida) com o PS. Nada mais se lhe conhece.
Mas, tudo isto só seria perfeito num admirável mundo novo e caso não existisse mais partidocracia para além dos "suspeitos do costume". Ou como diz o povo: quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras. E por incrível que pareça, o BE já estilhaçou o seu telhado todo. Até porque, em termos percentuais, o Bloco pode gabar-se de ser o partido autárquico mais corrupto. O índice de corrupção bloquista bate os incríveis 100%, ou seja, a única autarquia nas mãos do BE, Salvaterra de Magos, esteve de facto indiciada por crimes de colarinho branco. A autarca bloquista (ex-PCP) é Ana Cristina Ribeiro e foi acusada de conspiração para afastar adversários políticos, peculato, desaparecimento do registo de contas, livros em actas, cheques sacados, legalização de viaturas e corrupção em concurso de acesso à autarquia. Sobre isto o grande líder apelou à calma e o processo, tal como tantos, já foi arquivado. Mas apesar de o BE transbordar moralidade e de criar teorias da conspiração (a seu favor, claro) sempre que algum processo é arquivado, não se livra desta forte suspeição. Ou citando novamente um provérbio popular: onde há fumo, há fogo.Adenda:
1. Mais informações sobre o processo de Ana Cristina Ribeiro.
2. Apesar de ser maçon e de se ter bandeado para os lados do socialismo democrático (lugar onde sempre esteve), José Miguel Júdice tem razão nas críticas que faz ao actual bastonário da Ordem dos Advogados:

2 comentários:
Cá estaremos quando o BE conseguir arrecadar mais umas câmarazitas, a ver se não caiem na mesma teia que criticam como se fossem uns arautos da moral e bons costumes.Então se forem do calibre da de Salvaterra, da qual até conheço bem alguns dos seus mais altos dignitários...
Talvez assim alguém lhes diga "porqué no te callas Daniel, Francisco, Zé (etc)??"
Justiça boa, boa, era aquela protagonizada pelo Vichinsky. Deve ser essa a que Daniel Oliveira se refere. Mais colorida não existe e até coincide com a UDP, a mãezinha do BE (o paizinho é o PSR, depois da mudança de sexo da velha LCI). Enfim...
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